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Frasco de suplemento, comprimidos e copo de água no criado-mudo, com um homem pensativo sentado na cama ao fundo

Melatonina por tempo prolongado: o que se sabe e o que ainda falta saber

A melatonina virou hábito para muita gente. Entenda o que um estudo preliminar encontrou sobre o uso prolongado, o que ele não prova e por que vale conversar com o médico.

Ela está na farmácia, no aplicativo de entrega e na conversa entre amigos. Para muita gente, a melatonina virou parte da rotina, quase como escovar os dentes antes de deitar. A sensação é de que, por ser um hormônio que o próprio corpo produz, não haveria motivo para preocupação. Só que o uso prolongado de melatonina passou a ser olhado com mais atenção pelos pesquisadores. Neste texto, a Pulmonar Saúde do Sono explica o que se sabe até aqui, o que ainda é dúvida e por que tomar qualquer coisa para dormir todas as noites merece acompanhamento médico.

Conteúdo informativo. A avaliação, o diagnóstico e a indicação de tratamento devem ser realizados por profissionais de saúde.

O que é a melatonina e para que ela serve

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo cérebro, principalmente quando escurece. Ela funciona como um sinal para o organismo de que é hora de se preparar para dormir. Por isso, costuma ser chamada de "hormônio do escuro". A luz, especialmente a das telas à noite, tende a reduzir essa produção.

Também existe a melatonina em forma de comprimido, gota ou goma, vendida em diferentes formatos e concentrações. Essa variedade de formatos e concentrações é um dos motivos pelos quais muita gente começa a usar sem orientação, imaginando que se trata de algo totalmente inofensivo.

O que o estudo sobre uso prolongado encontrou

Um estudo preliminar apresentado no congresso científico da American Heart Association, em novembro de 2025, analisou registros de saúde de mais de 130 mil adultos com insônia. Os pesquisadores compararam pessoas que tinham registro de uso de melatonina por um ano ou mais com pessoas que não tinham esse registro.

O resultado chamou a atenção: o grupo com uso prolongado apresentou, ao longo de cinco anos, maior frequência de diagnóstico de insuficiência cardíaca, que é quando o coração tem dificuldade de bombear o sangue de forma eficiente. A notícia rodou o mundo e gerou muitas perguntas de quem toma melatonina há tempos.

O que o estudo não prova

Aqui está a parte mais importante, e que muitas manchetes deixaram de lado. O estudo é observacional. Isso quer dizer que ele encontrou uma associação, ou seja, duas coisas que aparecem juntas, mas não mostra que uma causa a outra. Alguns pontos ajudam a entender as limitações:

Em resumo: não é motivo para pânico, mas também não é para ignorar. É um sinal de que o tema precisa de mais pesquisa e de que o uso contínuo merece acompanhamento.

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Natural não quer dizer sem acompanhamento

Existe uma ideia comum de que, se algo é natural, pode ser usado à vontade. Com a melatonina não é bem assim. Ela interfere no relógio biológico, pode interagir com outros medicamentos e não é indicada da mesma forma para todas as pessoas. Além disso, a quantidade e a frequência de uso devem ser definidas por um profissional de saúde, nunca por recomendação de amigos ou de vídeos nas redes.

Por isso, a orientação geral é simples: se você usa melatonina há bastante tempo, ou toma todas as noites, leve esse assunto para a próxima consulta. Não interrompa nem mude o uso por conta própria. Converse com o médico, que pode avaliar o seu caso e indicar o melhor caminho.

Quando a dificuldade para dormir persiste, vale investigar a causa

A melatonina costuma ser usada como solução para um sintoma: a dificuldade de pegar no sono ou de dormir bem. Mas o sintoma tem uma causa, e ela pode passar despercebida quando a pessoa resolve o problema apenas com um comprimido. Ansiedade, horários irregulares, excesso de telas, dores e outros problemas de saúde podem estar por trás de noites ruins.

Entre as causas que costumam ficar escondidas estão os distúrbios respiratórios do sono, como a apneia. Nela, a respiração é interrompida várias vezes durante a noite, o que fragmenta o sono e faz a pessoa acordar cansada, mesmo depois de muitas horas na cama. Ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado e sonolência durante o dia são sinais que merecem atenção. Você pode conhecer outros no nosso artigo sobre sintomas da apneia do sono.

Nesses casos, melatonina nenhuma resolve o problema de base. A investigação com um médico, e eventualmente um exame do sono, é que pode mostrar o que está acontecendo.

Como a Pulmonar pode ajudar

A Pulmonar não é clínica médica, não faz consulta e não indica medicamentos ou suplementos. O papel dela é apoiar quem já tem diagnóstico e indicação de tratamento para distúrbios respiratórios do sono, com orientação, venda, aluguel e manutenção de equipamentos como CPAP e BiPAP, além de máscaras e acompanhamento técnico. Se você quer entender melhor esse caminho, a página sobre apneia do sono em Uberlândia traz mais informações.

A mensagem final é de equilíbrio: a melatonina não é vilã, mas também não é um item de rotina para ser usado sem acompanhamento. Informação responsável e conversa com o médico são os melhores aliados de um sono de qualidade.

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Perguntas frequentes

Tomar melatonina por muito tempo faz mal ao coração?

Um estudo preliminar encontrou associação entre o uso por um ano ou mais e maior risco de insuficiência cardíaca em adultos com insônia. Mas o estudo é observacional e não prova que a melatonina seja a causa. Quem usa há bastante tempo deve conversar com o médico.

Posso parar de tomar melatonina por conta própria?

O ideal é não mudar nada sozinho. Leve o assunto para a consulta e siga a orientação do profissional de saúde, que conhece o seu histórico e pode avaliar o que faz sentido no seu caso.

A melatonina ajuda quem tem apneia do sono?

A apneia é um problema na respiração durante o sono, e a melatonina não age sobre essa causa. Se há ronco, pausas na respiração ou cansaço ao acordar, o caminho é buscar avaliação médica para investigar o quadro.

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